sexta-feira, 8 de maio de 2026

[ENTREVISTA] - Monster Hunter Stories 2, Famitsu

Entrevista da Famitsu com Ryozo Tsujimoto, Kenji Oguro e Takahiro Kawano sobre a história e cenários de Monster Hunter Stories 2.

A tradução desse artigo tem como fins a documentação da entrevista para caso de perca ou exclusão do conteúdo original.

Entrevista realizada entre o produtor Ryozo Tsujimoto, os diretores Kenji Oguro, Takahiro Kawano e a revista de jogos Famitsu. Leiam a matéria original. Todos os créditos ao site: https://www.famitsu.com/news/202104/30219555.html.

"Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin", com lançamento previsto pela Capcom para o Nintendo Switch em 9 de julho de 2021. Informações instigantes, como os personagens profundamente envolvidos na história, novos Monsties e o aguardado sistema de batalha, estão sendo reveladas gradualmente.

No "Special Program" transmitido em 27 de abril de 2021, um novo vídeo foi apresentado. Por isso, desta vez, conversamos com três figuras importantes da equipe de desenvolvimento sobre os elementos que mais chamaram a atenção, incluindo as informações confirmadas nesse vídeo mais recente.

Ryozo Tsujimoto
Produtor de "Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin"

Kenji Oguro
Diretor de "Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin"

Takahiro Kawano
Diretor de Arte de "Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin"

Navirou e Lilia aparecem! O cenário é o mundo 4 anos após o jogo anterior.

— Foi revelado que Navirou também aparecerá neste título. Afinal, Navirou seria o "rosto" da série Monster Hunter Stories?

Tsujimoto: Como este jogo tem uma história centrada no Rathalos, que representa "Monster Hunter", se formos falar em termos de "rosto", seria o Rathalos.

Oguro: Monster Hunter Stories é uma obra no estilo JRPG onde os jogadores são os protagonistas da aventura. Como o protagonista em si não fala, é mais fácil estruturar a narrativa com um personagem que atue como seu "porta-voz". Ao decidir quem faria esse papel de guia, isso se tornou um dos nossos desafios. Após muito pensar, concluímos que o Navirou seria o personagem ideal. Ele é sempre positivo e encorajador, tornando-se um personagem essencial e importante para a história.

Kawano: Assim como no jogo anterior, ele aparece desta vez como a entidade que guia o protagonista. Ele é uma presença importante tanto para o enredo quanto para a jogabilidade.

— Existe o background de que o Navirou está em uma jornada errante, mas também estamos curiosos sobre a conexão com o jogo anterior.

Kawano: Este título é uma história ambientada em uma região diferente, quatro anos após o jogo anterior. O Navirou se separou do protagonista do primeiro jogo (não em um sentido ruim) e aparece diante dos protagonistas deste jogo no meio de sua jornada errante.

Oguro: Se fôssemos fazer uma sequência, queríamos que houvesse uma conexão com o jogo anterior. No entanto, não queríamos criar um jogo que não pudesse ser totalmente aproveitado por quem não conhece o primeiro jogo. Por isso, em vez de apenas reaproveitar os personagens antigos, estabelecemos a diretriz de narrar a história de uma nova figura de protagonista - ou seja, a história de um novo "Rider de Rathalos". Enquanto a trama se desenvolve em torno do protagonista e de novos personagens, criamos pontos de contato com os personagens do jogo anterior.

— Se o Navirou aparece, isso significa que outros "Numbers" também podem surgir...?

Kawano: A história do Dr. Manelger foi concluída no jogo anterior, portanto os "Numbers" não aparecerão.

Tsujimoto: Se muitos personagens do jogo anterior aparecessem, o fato de ter jogado o título anterior acabaria se tornando um pré-requisito.

Oguro: Tomamos muito cuidado sobre até que ponto deveríamos conectar este jogo com o anterior. Para o Navirou, preparamos uma história diferente, que não envolve os "Numbers".

— Após o Navirou, a aparição de Lilia também foi revelada. Sendo um mundo quatro anos após o jogo anterior, ela passa uma impressão de estar bem mais madura. Já o Reverto, parece que a aparência não mudou muito...

Kawano: Projetamos a personagem Lilia querendo criar esse contraste entre a garota enérgica do jogo anterior e o seu crescimento como adulta. Quanto ao Reverto... ele não mudou absolutamente nada (Risos).

— Entendo. E como está o cenário do jogo anterior neste novo título?

Oguro: A "Aura Maléfica Negra" foi contida, e a existência dos Riders passou a ser devidamente reconhecida pela sociedade dos caçadores. No entanto, assim como na sociedade real, é um mundo onde existem diversos tipos de pessoas: aquelas que os aceitam e aquelas que não conseguem aceitá-los.

— Foi revelado que o avô do protagonista, Red, possui um laço com o "Rathalos Guardião", o deus da ilha. Afinal, a família do protagonista tem uma relação profunda com o desaparecimento dos Rathalos? Por favor, conte-nos dentro do que for possível.

Kawano: As pessoas que vivem na Ilha Hakolo, onde o protagonista reside, veneram o "Rathalos Guardião" como o deus protetor da ilha. O "Red", avô do protagonista, é o Rider herói que formou um laço com esse Rathalos Guardião. O protagonista deste jogo é quem herda o sangue desse herói.

Oguro: A família do protagonista é, por assim dizer, uma "linhagem de escolhidos" que, de geração em geração, se tornam Riders de Rathalos. Entretanto, em termos de narrativa, o foco não está na família como um todo, mas sim em Red, no Rathalos Guardião e no protagonista, que é o descendente dessa linhagem. O fato de que "os Rathalos desapareceram do mundo" é um incidente grandioso dentro da história. Espero que os jogadores aproveitem para descobrir como Red e o Rathalos Guardião estão relacionados a isso, e como o protagonista se envolverá nesse mistério.

— Fiquei surpreso ao ouvir que Ena conhecia o Red. Os Wyverians parecem ter uma vida mais longa que a dos humanos, mas qual seria a configuração de idade da Ena? (Algo como: "se fosse um humano, ela teria tal idade").

Oguro: Os Wyverians de fato possuem uma longevidade maior que a dos humanos. Para expressar de uma forma fácil de entender, comparando com os humanos, existem os períodos de infância, juventude, meia-idade e velhice. A Ena corresponderia ao período da juventude humana. No entanto, isso não significa que os Wyverians sejam rigorosamente divididos nessas quatro etapas.

Kawano: Assim como animais e humanos envelhecem de formas diferentes, a velocidade com que os Wyverians envelhecem também é diferente da nossa. Não se trata de ela ser uma "senhora idosa com aparência jovem", entende?

— Kayna é uma Rider da mesma vila Mahana que o protagonista e parece ser quem ensina o básico aos novos Riders. O bordão dela, "Estou super empolgada!", tem o objetivo de reforçar sua personalidade? No jogo anterior, Dan-senpai, que estava em uma posição semelhante, também tinha o bordão "Em plena forma!".

Oguro: Exatamente como você disse, o tom de voz e as expressões são muito importantes. Não acho que todos os personagens precisem de um bordão tão enfático, mas no caso da Kayna, foi uma fala criada pelo roteirista quase como uma "rivalidade" com o Dan-senpai. Antes mesmo de termos o design visual, a imagem que discutíamos com o roteirista para a Kayna era a de "uma pessoa radiante de uma ilha tropical, mas sem passar uma sensação excessiva de ser muito mais velha".

Lembro-me de quando vi os primeiros esboços do design: pensei "esta é totalmente a Kayna!". Fiquei emocionado por terem desenhado algo que superou a imagem que eu tinha.

Kawano: A Kayna, assim como o Dan-senpai do título anterior, é quem ensina o "ABC" de ser um Rider ao protagonista. Como ela é uma personagem que ensina de forma alegre e vibrante, acho que essa fala combina perfeitamente com ela. Quando você joga e a Kayna aparece, o ambiente se ilumina instantaneamente.

— Foram revelados mapas que servirão de cenário para a aventura, como a Ilha Hakolo e o Continente Alcala. O fato de o Navirou aparecer significa que este é um mundo conectado por terra ao cenário do jogo anterior?

Oguro: Sim. Não se trata de um mundo paralelo. É uma história contada em um outro continente.

Kawano: Não estão conectados por terra, mas não é uma região tão distante da do título anterior. É uma distância que o Navirou conseguiria percorrer em suas viagens.

— Além da Espada Grande, Martelo, Espada e Escudo e Berrante de Caça, o Arco e a Lançarma foram adicionados como novos tipos de armas que o protagonista pode equipar. Entre tantos tipos de armas em "Monhun", por que essas duas foram as escolhidas?

Oguro: Ao pensar na jogabilidade, a base é que este é um jogo para se divertir criando monstros como um Rider, e não apenas caçando como um caçador. Por isso, buscamos algo que pudesse oferecer diferenciação. Assim, primeiro focamos em aumentar o número de monstros e revisamos os tipos de armas existentes para ampliar o que se pode fazer nas batalhas em comparação ao jogo anterior.

Nos títulos de "Monhun" focados em ação, a diferenciação ocorre através de muitos elementos, como a sensação dos controles, a praticidade e a noção de distância no posicionamento. Contudo, como Monhun Stories utiliza batalhas por comandos, precisamos pensar na diferenciação dentro desse sistema. Entendemos a importância do visual, do desempenho e da popularidade das armas, mas priorizamos gerar variações na experiência de jogo. Como resultado desse foco em trazer diferenças reais à jogabilidade, escolhemos esses dois tipos.

— Como novos Monsties, foram revelados diversos monstros de grande porte de "MHXX" e "MH:W". Ao trazê-los como Monsties, conte-nos se houve dificuldades em relação à ambientação ou em quais pontos vocês foram mais meticulosos.

Oguro: Não houve dificuldade alguma. Como cada monstro é muito individual e suas características já eram bem definidas, não tivemos problemas. Além disso, as tendências para o sistema de "Pedra, Papel e Tesoura", que é vital nas batalhas, acabaram se distribuindo de forma natural.

— Em comparação ao jogo anterior, o quanto aumentou a variedade de Monsties?

Tsujimoto: Não posso dizer o número exato de espécimes, mas, como mencionado anteriormente, muitos monstros desses dois títulos marcarão presença.

Kawano: Em termos de comparação com o jogo anterior, acredito que o número aumentou consideravelmente.

— No jogo anterior, a base para formar laços com os monstros era obter ovos em seus ninhos e chocá-los. Esse sistema foi mantido neste título?

Oguro: Sim, permanece igual ao jogo anterior. Este também é um jogo onde a diversão está em "se desviar do caminho" toda vez que você avista um "ninho dourado". Esse hábito de explorar as redondezas é parte da diversão.

— Foram apresentadas as "Armaduras em Camadas" do protagonista e roupas para outros personagens, e notamos o "Visual de Nergigante" para o Navirou e o penteado "Corte Nergal". Isso significa que o Nergigante também será um Monstie...?

Tsujimoto: O Nergigante é um monstro que exerce um papel muito importante na história deste título. Sobre ele se tornar um Monstie ou não... bem, o que vocês acham? Por favor, aguardem com expectativa.

— Sobre o Rathalos da Ruína que se torna o Monstie do protagonista: como souberam que o que nasceu do ovo era justamente ele? Afinal, a vila do protagonista esconde algum segredo sobre os Rathalos?

Oguro: A lenda do Rathalos da Destruição não é algo tão amplamente conhecido por todos, mas em certos lugares ela é firmemente preservada através de tradições orais. Para aqueles que conhecem a lenda, o Rathalos que nasce daquele ovo possui características tão distintas que é possível identificá-lo claramente.

Kawano: O protagonista não conhece a aparência nem a lenda do Rathalos da Ruína. Ele interage com o monstro com um afeto puro, mas são os Wyverians, que conhecem a lenda, que indicam ao protagonista que aquele é o "Rathalos da Ruína".

— Na arte principal, vemos um Rathalos abrindo amplamente suas asas. Quem está montado parece ser o protagonista, e não o Red. Este Rathalos é o "Rathalos Guardião" ou o "Rathalos da Ruína"?

Kawano: Esta é, sem sombra de dúvida, uma imagem que retrata o protagonista voando pelo céu montado no Rathalos da Ruína. No entanto, não é como se tivéssemos desenhado uma cena que ocorre literalmente. A imagem foi concebida como uma representação de um "mundo de esperança" entre o protagonista e o Rathalos da Ruína. Sobre se eles conseguirão ou não voar pelo vasto céu como nesta imagem, eu adoraria que vocês jogassem o jogo para conferir.

— Foi anunciado que o bônus de conexão com o "MHRise" será a armadura visual "Traje de Kamura". Houve outros candidatos para esse bônus? Poderia nos contar se houve alguma dificuldade ao definir esses elementos de conexão?

Kawano: O "MHRise" possui muitos elementos encantadores e queríamos incluir todos como bônus de conexão, mas acabamos selecionando apenas alguns pontos específicos para a produção; esse foi o processo por trás da decisão.

Um sistema de batalha que evoluiu significativamente em relação ao título anterior.

— No sistema de batalha, o sistema de "Pedra, Papel e Tesoura" foi mantido, mas dizem que as ações dos monstros se tornaram muito mais claras e fáceis de entender. Se entendermos o padrão de comportamento, poderemos lutar com vantagem, mas, caso contrário, sinto que poderemos ter bastante dificuldade... Poderia nos contar se houve algum desafio no ajuste desse equilíbrio?

Oguro: O que nos preocupava antes do desenvolvimento não era tanto o equilíbrio, mas sim o ponto: "será que um Janken onde você sabe que vai ganhar é divertido?". No entanto, isso foi uma preocupação infundada. Conseguimos reformular para um sistema de batalha muito interessante.

Os jogadores experientes da série Monhun leem os movimentos dos monstros e fazem o que chamamos de "é sempre o meu turno". Sinto que conseguimos reproduzir o prazer dessa sensação neste jogo. Como este título utiliza batalhas por comandos, acredito que mesmo quem não tem confiança em jogos de ação pegará o jeito rapidamente. Quero muito que experimentem essa satisfação.

— Acredito que ter um parceiro de batalha será uma vantagem enorme, já que permite lutar com quatro personagens. No modo online, parece que é possível formar grupos com outros jogadores para aproveitar conteúdos exclusivos, mas no modo offline (história), os grupos são formados apenas em momentos específicos, conforme o progresso da trama?

Tsujimoto: A história principal e as missões cooperativas possuem estruturas independentes. Na história principal, ocorrem encontros e despedidas conforme o enredo avança, e você lutará ao lado de companheiros como Kayna e Alwin. Já nas missões cooperativas, um outro jogador pode participar, totalizando duas pessoas (dois Riders e dois Monsties participando da batalha). Além disso, no modo de batalha (PVP), é possível se divertir com até quatro pessoas (2 Riders e 2 Monsties contra 2 Riders e 2 Monsties).

O modo multiplayer deste jogo consiste em enfrentar missões exclusivas para cooperação, e não em jogar a história principal com outros jogadores. Vale mencionar que a variedade de missões cooperativas disponíveis aumenta conforme o seu progresso na história principal.

— No jogo anterior, houve diversas colaborações (como Chibi Maruko-chan, Kumamon, etc.). Existem planos para colaborações neste novo título também?

Tsujimoto: Este jogo está planejado para um lançamento simultâneo em todo o mundo. Por esse motivo, infelizmente não pretendemos realizar colaborações limitadas por região, como fizemos no título anterior. Sinto muito por isso.

— No jogo anterior, a transmissão de um anime começou junto com o lançamento do jogo, o que atraiu muita atenção. Para este título, existem projetos em andamento que estejam avançando em paralelo ao jogo?

Tsujimoto: No momento, não temos projetos tão grandes quanto a transmissão de um anime. Priorizamos o lançamento simultâneo em todo o mundo para que as pessoas de todos os países pudessem jogar o jogo ao mesmo tempo.

— Com a data de lançamento se aproximando, acredito que a atenção voltada para este título aumentará cada vez mais. Por favor, deixem uma mensagem para os leitores da Famitsu que estão ansiosos pelo lançamento.

Tsujimoto: "Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin" é um RPG, e em outras palavras, é um "Monster Hunter" que não é de ação. Aqueles que já jogam a série principal poderão aproveitar o universo da franquia através de um RPG, e para quem nunca jogou a série, mas gosta de RPGs, este é um título que eu adoraria que experimentassem. Continuaremos divulgando novas informações gradualmente, então, por favor, fiquem atentos.

Oguro: Desenvolvemos este jogo com muito cuidado e polimento para que o maior número possível de pessoas possa jogá-lo com facilidade. Por favor, experimentem o desenvolvimento da história que só é possível em um RPG, e aquela essência de "Monster Hunter" que, mesmo sendo um RPG, ainda pode ser sentida.

Kawano: Cinco anos se passaram desde o título anterior, e finalmente a sequência está pronta. Tudo foi aprimorado em comparação ao primeiro jogo, então, por favor, aguardem com expectativa pela história do Rathalos da Ruína.

Entrevista publicada em 30 de abril de 2021.